Hack da Binance em outubro de 2026: o que aconteceu e como o mercado de futuros de cripto reagiu

Resposta curta: na noite de 29 de outubro de 2026, atacantes esvaziaram as carteiras quentes (hot wallets) da Binance em dez blockchains, a maior parte em cerca de meia hora. A Binance estima o impacto total em cerca de US$ 6,3 bilhões, o que faz deste o maior roubo de cripto já registrado. A exchange diz que os fundos dos usuários estão seguros e que vai cobrir a perda com o fundo SAFU e com recursos da própria empresa (Binance). Os saques estão suspensos; a Binance espera liberá-los em até 48 horas a partir da atualização das 04:36 UTC de 30 de outubro. Emissores de stablecoins e outras partes congelaram cerca de US$ 2,7–3 bilhões dos ativos roubados em poucas horas.
Também analisamos, minuto a minuto, o efeito do hack no mercado de futuros da Binance, da Bybit e da OKX. Na mínima, o bitcoin chegou a cair 4,9%, em parte junto com as ações de tecnologia dos EUA, que caíram no mesmo horário. Os preços na Binance nunca se descolaram dos de outras exchanges: durante o roubo, a diferença mediana no BTC foi de 0,6 ponto-base (0,006%). Os traders continuaram tratando a Binance como uma exchange solvente.
Este artigo foi escrito em 30 de outubro de 2026. Num hack tão recente, os números mudam rápido, por isso cada um deles vem com a indicação de quem o divulgou. Vamos atualizar a página quando a Binance publicar o relatório completo.
O que aconteceu com a Binance? A cronologia do hack
Todos os horários estão em UTC. As etapas onchain vêm da TRM Labs, que rastreou o roubo em dez redes (TRM Labs).
| Horário (UTC) | O que aconteceu |
|---|---|
| 28 de out., de manhã | Uma carteira usada depois pelo atacante recebe três pequenos saques do Tornado Cash, um serviço de mistura de criptomoedas (mixer) |
| 29 de out., durante o dia | O código do ataque é testado em duas carteiras e depois ensaiado numa terceira |
| 20:05–20:09 | Cinco carteiras de XRP da Binance enviam 233,46 milhões de XRP para um único endereço. É a primeira saída |
| a partir das 20:10 | As carteiras da Binance na Solana e na Optimism são esvaziadas |
| 20:20 | A carteira quente de bitcoin da Binance envia 18.270 BTC. No mesmo minuto, uma transação na Ethereum entrega ao atacante o controle da principal carteira quente de Ethereum |
| ~20:22 | A carteira quente na Tron envia 612,7 milhões de USDT e 46,4 milhões de TRX |
| ~20:23 | A carteira quente de Ethereum é esvaziada: 167.464 ETH e 63 tokens, entre eles 1,615 bilhão de USDT |
| 21:01 | A Tether congela 971,1 milhões de USDT na principal carteira de destino |
| 21:04 | A Circle congela 823 milhões de USDC |
| 22:01–22:26 | A Ripple e a World Liberty Financial congelam RLUSD e USD1 ligados ao ataque |
| 22:15 | A Binance publica que os saques estão suspensos para verificações de segurança e que os fundos dos usuários continuam seguros |
| 23:05 | Uma segunda onda atinge as carteiras da Binance na Avalanche e na Polygon |
| 23:06 | A Binance suspende as negociações na Binance Alpha |
| 23:35 | A Binance informa um total congelado e verificado de US$ 2,54 bilhões |
| 30 de out., 00:08 | O Conselho de Segurança da Arbitrum retira 8.426 ETH e 74,6 milhões de ARB da carteira do atacante |
| 00:13 | Binance: "A Binance vai cobrir todas as perdas"; todos os depósitos e saques ficam temporariamente suspensos |
| 02:23 | A Binance publica uma "Atualização sobre o incidente de segurança": impacto de cerca de US$ 6,3 bilhões, com cerca de US$ 3 bilhões congelados onchain |
| 04:36 | Binance: os depósitos funcionam normalmente, e a previsão é liberar os saques em até 48 horas |
As declarações da Binance vêm dos posts da empresa no X e da página de anúncios (Binance). A co-CEO Yi He disse primeiro que a exchange estava investigando relatos de um possível problema de segurança e, pouco depois da meia-noite, escreveu que a Binance "vai cobrir todas as perdas do hack" (The Block). A Binance.US disse que é uma plataforma separada e que não foi afetada.
Quanto foi roubado da Binance?
As estimativas não batem porque foram feitas em momentos diferentes e contam coisas diferentes: o que saiu das carteiras, o que foi congelado e a que preço cada ativo foi avaliado.
| Fonte | Estimativa | O que mede |
|---|---|---|
| Binance | cerca de US$ 6,3 bilhões | "impacto total estimado", número da própria Binance (Binance) |
| TRM Labs | US$ 6,36 bilhões | valor de cada ativo no momento em que foi levado, em 10 redes |
| Chainalysis | cerca de US$ 6,4 bilhões | atualizada em 30 de outubro, antes eram US$ 5,9 bilhões (Chainalysis) |
| DefiLlama | US$ 5,78 bilhões | registro "Binance CEX", chave da carteira quente comprometida (DefiLlama) |
| Blockaid | US$ 5,5 bilhões | saídas das carteiras quentes da Binance (crypto.news) |
A Arkham contou US$ 6,01 bilhões saindo de carteiras quentes em nove redes entre 20:10 e 23:05 UTC. Por rede, a TRM conta cerca de US$ 3,79 bilhões na Ethereum (200.630 ETH, 1,875 bilhão de USDT, 823 milhões de USDC e outros tokens), US$ 1,47 bilhão no Bitcoin (18.270 BTC), US$ 628 milhões na Tron, US$ 296 milhões no XRP Ledger, US$ 96 milhões na Solana e valores menores na Arbitrum, Optimism, Base, Avalanche e Polygon.
Qualquer um desses números é recorde. O maior roubo anterior foi o hack da Bybit, em fevereiro de 2025, de cerca de US$ 1,5 bilhão, e o maior caso mais antigo, o do pool de mineração LuBian em 2020, foi de cerca de US$ 3,5 bilhões.
Como os hackers invadiram a Binance?
A Binance ainda não publicou um relatório completo. Por enquanto existem duas versões, e elas se encaixam.
A investigação inicial da Binance: o incidente "pode envolver o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps". Por meio dele, o atacante chegou a um contêiner de serviço dentro dos sistemas da Binance e enviou saques não autorizados. A Binance disse não ter encontrado "nenhuma evidência de vazamento de chaves privadas de carteiras" (Binance). Numa atualização posterior, acrescentou que o incidente "decorre de vários fatores" e que o computador comprometido "pode ser o ponto de entrada". O relatório completo, com a causa raiz, ainda não saiu.
O quadro onchain segundo a TRM Labs:
- O ataque foi preparado com antecedência. A carteira operacional do atacante recebeu fundos via Tornado Cash um dia antes, e o código foi testado em três carteiras antes de chegar à Binance.
- Na Ethereum, o atacante usou o EIP-7702, recurso que chegou com a atualização Pectra, em maio de 2025, e que permite a uma carteira comum funcionar como um contrato inteligente. Uma única transação levava 50 autorizações pré-assinadas para nonces consecutivos. A que correspondia ao nonce atual da carteira transformou a carteira quente da Binance num "sweeper" (contrato que varre os fundos) controlado pelo atacante, que esvaziou a carteira cerca de três minutos e meio depois.
- Nas outras nove redes, as carteiras da Binance enviaram fundos por transferências assinadas comuns, em cerca de 30 minutos.
- Para a TRM, a explicação mais provável é o comprometimento do sistema de assinatura das carteiras quentes da Binance, porque phishing, sozinho, não explica transferências assinadas em dez redes ao mesmo tempo.
Se a versão da Binance se confirmar, os atacantes não precisaram das chaves: entraram fundo o bastante na Binance para fazer os próprios sistemas da exchange assinarem os saques. Uma pergunta continua em aberto: como o serviço de saques chegou a assinar 50 autorizações EIP-7702. A Binance ainda não explicou.
Quem está por trás do hack da Binance?
Ninguém confirmou oficialmente. A TRM Labs atribui o ataque ao TraderTraitor, unidade hacker da Coreia do Norte, "com alto grau de confiança", com base em inteligência onchain e off-chain. O FBI atribuiu ao mesmo grupo o hack da Bybit de fevereiro de 2025. A Chainalysis também liga o roubo à Coreia do Norte. A Blockaid disse que as táticas são compatíveis com operações norte-coreanas, e o investigador ZachXBT apontou o Lazarus Group como o atacante provável. A Binance não citou nenhum culpado e diz que trabalha com as autoridades para identificar os responsáveis.
Quanto do dinheiro roubado já foi congelado?
Uma parte grande, e rápido, porque boa parte do roubo estava em stablecoins, cujos emissores conseguem congelar tokens.
| Quem congelou | Valor |
|---|---|
| Tether | cerca de 1,77 bilhão de USDT em várias carteiras do atacante |
| Circle | cerca de 825 milhões de USDC |
| Ripple | 40,5 milhões de RLUSD |
| World Liberty Financial | 27,8 milhões de USD1, além dos USD1 na carteira comprometida da Binance |
| Conselho de Segurança da Arbitrum | 8.426 ETH e 74,6 milhões de ARB, cerca de US$ 30 milhões |
Fonte: TRM Labs, retrato das 00:30 UTC de 30 de outubro. O total da TRM é de cerca de US$ 2,7 bilhões. A Binance informou um total congelado e verificado de US$ 2,54 bilhões às 23:35 UTC e cerca de US$ 3 bilhões congelados onchain na atualização das 02:23 UTC (Binance).
Como o atacante tentou driblar os congelamentos
USDT e USDC podem ser congelados pelos emissores; ETH e BTC, não. Nas primeiras horas, segundo a TRM Labs e rastreadores onchain, o atacante tentou trocar as stablecoins congeláveis por ETH de três formas:
- Vendendo com prejuízo. Cerca de 325 milhões de USDT foram para market makers e solvers em troca de cerca de 122.300 ETH, algo como US$ 2.650 por ETH, quando o ETH era negociado perto de US$ 2.300–2.350. O atacante pagou mais de 10% acima do mercado para sair rápido do USDT. Os outros 175 milhões de USDT desse lote foram congelados.
- Tomando empréstimo com USDT roubado como garantia. Na Aave, o atacante depositou 60 milhões de USDT como colateral e pegou emprestados cerca de 19.760 ETH, que a Tether não consegue congelar. Às 22:44 UTC, a Aave congelou todos os mercados administrados pela DAO nas versões V3 e V4: nada de novos depósitos ou empréstimos, mas saques e pagamentos continuam funcionando. A Aave disse que seus contratos não foram afetados e que as posições seguiam sobrecolateralizadas (Aave no X). Na Tron, 300 milhões de USDT foram parar no protocolo de empréstimos JustLend.
- Vendendo outros tokens. Até 01:01 UTC, o atacante tinha vendido UNI, ENA, PEPE, LINK, AAVE, ONDO e WLD por 70.480 ETH, cerca de US$ 158 milhões (Lookonchain).
O que continua fora de alcance, pelas contas da TRM, são cerca de US$ 2,4 bilhões: mais de 420.000 ETH e os 18.270 BTC. A TRM espera que a próxima etapa passe por pontes, serviços de swap e mesas OTC.
Meu dinheiro está seguro na Binance?
A Binance diz que sim. A posição oficial é que os fundos dos usuários estão seguros e que a empresa "vai cobrir todas as perdas com o fundo SAFU e com recursos da empresa" (Binance). O fundador Changpeng Zhao, que não comanda mais a Binance.com, disse que, como acionista, espera que todos os fundos dos usuários sejam cobertos integralmente.
Os números por trás dessa promessa:
- O SAFU sozinho não basta. O Secure Asset Fund for Users foi criado em 2018 com 10% das taxas de trading e, desde 2022, é mantido em torno de US$ 1 bilhão. Entre janeiro e fevereiro de 2026, a Binance converteu o fundo em 15.000 BTC e se comprometeu a recompô-lo até US$ 1 bilhão se ele ficar abaixo de US$ 800 milhões (The Block). A cerca de US$ 77.700 por BTC, isso dá aproximadamente US$ 1,17 bilhão, menos de um quinto do valor afetado. O resto tem de sair da própria Binance.
- O rombo é grande, mas no papel não é fatal. A DefiLlama contava cerca de US$ 144 bilhões em ativos na Binance antes do hack, então US$ 6,3 bilhões equivalem a cerca de 4% disso. Pelas contas da Binance, cerca de US$ 3 bilhões dos ativos roubados já estão congelados.
- A última verificação de reservas é anterior ao hack. A Binance publica todo mês um retrato da sua prova de reservas (proof of reserves). O mais recente que conseguimos verificar, de 1º de agosto de 2026, mostrava cobertura de 100,25% para BTC e ETH e de 103,62% para USDT (Crypto Briefing). A Binance disse que vai publicar um relatório atualizado depois da correção. Uma prova de reservas é útil, mas não equivale a uma auditoria financeira completa.
Não temos como verificar a solvência da Binance de fora. O que dá para medir é como o mercado a precificou, e isso aparece mais abaixo, na parte sobre futuros.
Dá para sacar da Binance agora?
Ainda não. Na atualização das 04:36 UTC de 30 de outubro, a Binance disse que os saques continuam suspensos enquanto ela conclui "uma reformulação de segurança do serviço de saques e dos endereços relacionados" e que espera liberá-los em até 48 horas (Binance no X). Isso aponta para cerca de 1º de novembro, mas a Binance não deu uma data exata. A mesma atualização diz que os depósitos "não foram afetados e continuam funcionando normalmente", embora posts publicados entre 00:13 e 02:23 UTC dissessem que os depósitos também estavam suspensos.
Confira a situação atual nos anúncios oficiais do app da Binance e não clique em links de e-mails ou mensagens que prometam acesso mais rápido ou compensação.
Para comparação: no hack anterior da Binance, em maio de 2019 (7.000 BTC, cerca de US$ 40 milhões, cobertos integralmente pelo SAFU), depósitos e saques ficaram suspensos por cerca de oito dias (Binance). A Bitget, depois de perder US$ 387,5 milhões em setembro de 2026, liberou todos os saques em cerca de oito dias. A Bybit, em fevereiro de 2025, nem chegou a suspender os saques e processou mais de 350.000 pedidos de saque nas primeiras dez horas.
Como o hack da Binance afetou os futuros de cripto? Nossa análise minuto a minuto
Baixamos candles de 1 minuto dos futuros perpétuos de BTC, ETH, BNB, XRP e SOL nas APIs públicas da Binance, da Bybit e da OKX, das 14:00 UTC de 29 de outubro às 05:30 UTC de 30 de outubro, além do open interest (contratos em aberto) da Binance e da Bybit a cada 5 minutos. O método está descrito no fim do artigo.
O bitcoin caiu cerca de 5%, e a mínima veio seis horas depois

Às 20:04 UTC, minuto anterior à primeira saída, o BTCUSDT fechou a US$ 80.367 na Binance. Em 45 minutos, tocou US$ 78.210 (20:47 UTC), voltou a US$ 79.765 às 21:19 e caiu de novo depois das 23:30. A mínima veio às 02:06 UTC de 30 de outubro: US$ 76.444, ou 4,9% abaixo do fechamento anterior ao hack. Às 05:30 UTC, o preço tinha voltado para −2,2%.
Nas mínimas, o ETH caiu 6,0%, o SOL 6,9%, o XRP 5,6% e o BNB 8,4%. O BNB levou o maior tombo, como era de esperar do token mais ligado à Binance.
Nem toda a queda foi culpa do hack. Às 20:00 UTC, no fechamento de Nova York, as ações da Amazon e da Intel caíram 9,9% e 20,8% nos primeiros quatro minutos do after-hours, e os futuros do Nasdaq-100 perderam 1,1% (dados por minuto do Yahoo Finance). O BTC perdeu 0,55% nesses mesmos minutos, antes da primeira saída, às 20:05. O efeito do hack aparece com mais clareza no BNB: às 20:47 UTC, cinco minutos depois da primeira manchete sobre as saídas, o BNB acumulava queda de 7,9% em relação ao preço das 19:59, e o BTC, de 2,9%, enquanto os futuros do Nasdaq seguiam perto de −1,2%.
A queda forçou a saída de longs alavancados. A CoinGlass contou US$ 1,55 bilhão em liquidações no mercado de cripto como um todo em 24 horas, US$ 1,34 bilhão delas em posições compradas, de 246.482 traders. A maior liquidação individual, de US$ 11,09 milhões, foi no BTCUSDT da Binance (The Block).
Os preços na Binance não se descolaram das outras exchanges

Este é o número que mostra como o mercado julgou a solvência da Binance. Quando os traders acreditam que uma exchange não tem como pagar, os preços nela se descolam do resto do mercado. Em 10 de novembro de 2022, quando a FTX congelou os saques, o ETH era negociado na FTX 4,5% acima da Binance, e o SOL, 11% acima (CoinDesk). Nada parecido aconteceu em 29 de outubro.
| Moeda | Diferença mediana, 6 horas antes | Diferença mediana durante o roubo (20:05–00:30) | Maior diferença em 1 minuto durante o roubo |
|---|---|---|---|
| BTC | 0,9 pb | 0,6 pb | 2,9 pb |
| ETH | 0,4 pb | 0,5 pb | 4,3 pb |
| SOL | 0,5 pb | 2,1 pb | 7,2 pb |
| XRP | 0,8 pb | 2,0 pb | 10,7 pb |
A diferença é o preço do perpétuo na Binance menos a média de Bybit e OKX, em pontos-base (1 pb = 0,01%). No BTC, a diferença mediana durante o roubo foi menor do que nas seis horas calmas anteriores. XRP e SOL, duas das moedas roubadas, foram negociadas um pouco mais caras na Binance do que nas outras exchanges, cerca de 2 pb, o que dá US$ 2 numa posição de US$ 10.000.
O volume subiu em todas as exchanges: o giro de futuros de BTC na Binance foi 2,4 vezes o nível habitual por hora, e na Bybit, 3,1 vezes. A Binance manteve cerca de metade de todo o giro de futuros de BTC das três plataformas: 51% antes do roubo e 49% durante. Os traders não abandonaram os books de ofertas da Binance.
Novas posições foram abertas mais rápido na Bybit do que na Binance

O open interest acrescenta detalhes. Contado em moedas, para que a queda do preço não distorça o dado, o open interest de BTC entre 20:05 e 00:30 UTC subiu 7,1% na Bybit e 0,9% na Binance. No ETH, subiu 3,4% na Bybit e caiu 1,4% na Binance. Em SOL e XRP, as posições na Binance encolheram 9,6% e 7,1%.
O maior movimento foi o do BNB na Bybit: o open interest saltou 41,5% enquanto o preço caía, e o pagamento de funding das 00:00 UTC foi de −0,065% por 8 horas, ou seja, os shorts pagavam os longs. Quem queria vender a descoberto o token da própria Binance fez isso em outra exchange.
Com os saques suspensos, pequenas diferenças no spot duraram mais

A arbitragem mantém os preços alinhados movendo moedas entre exchanges. Com os saques suspensos, o que fosse enviado à Binance não podia sair de novo, então poucos traders queriam mandar moedas para lá, e as diferenças só podiam ser fechadas com os saldos que já estavam de cada lado. Por isso duraram mais. A diferença no BNB começou a abrir por volta das 20:40 UTC, quando as saídas já eram visíveis onchain e antes do primeiro post público da Binance. No spot de BNB/USDT, a Binance foi negociada em média 1,3 pb abaixo da Bybit antes do roubo e 12 pb acima depois das 00:30 UTC. No spot de BTC, a diferença foi de quase zero para +1,6 pb.
Essas diferenças são pequenas e batem com o que se espera quando a arbitragem desacelera durante uma suspensão.
O mesmo padrão do hack da Bybit
Fizemos a mesma verificação no hack da Bybit de 21 de fevereiro de 2025. Nas seis horas seguintes ao roubo, o perpétuo de BTC da Bybit ficou a uma diferença mediana de 2,4 pb da Binance e da OKX (1,7 pb antes), e a Bybit manteve sua fatia habitual de 24% do giro de futuros de BTC nas três plataformas. O BTC caiu 4,2% na mínima, e o ETH, 7,2%. Nos dois casos, a exchange hackeada continuou negociando a preços de mercado, que é o esperado quando o mercado acredita que a perda será coberta.
Quais foram os maiores hacks de cripto da história?
| Plataforma | Data | Valor na época | O que aconteceu com os usuários |
|---|---|---|---|
| Binance | 29 out. 2026 | cerca de US$ 6,3 bi afetados (Binance); US$ 5,5–6,36 bi por outras estimativas | A Binance diz que vai cobrir todas as perdas; saques suspensos |
| LuBian (pool de mineração) | 28 dez. 2020 | 127.426 BTC, cerca de US$ 3,5 bi | Não divulgado na época; revelado pela Arkham em 2025 |
| Bybit | 21 fev. 2025 | cerca de US$ 1,5 bi em ETH | Os saques continuaram abertos; reservas recompostas 1:1 em menos de 72 horas, com empréstimos e compras |
| Ronin Bridge | 23 mar. 2022 | cerca de US$ 620 milhões | Usuários ressarcidos pela Sky Mavis; a ponte reabriu depois de cerca de 3 meses |
| Poly Network | 10 ago. 2021 | mais de US$ 610 milhões | O hacker devolveu os fundos em 15 dias |
| Coincheck | 26 jan. 2018 | cerca de US$ 530 milhões em XEM | Os detentores foram compensados em ienes depois de cerca de 45 dias |
| Mt. Gox | fev. 2014 | cerca de 850.000 BTC, cerca de US$ 473 milhões | Falência; os pagamentos começaram em julho de 2024, dez anos depois |
| Bitget | 24 set. 2026 | US$ 387,5 milhões | Coberto pelo Protection Fund da Bitget; saques totalmente liberados em cerca de 8 dias |
| DMM Bitcoin | 31 mai. 2024 | cerca de US$ 305 milhões | Os BTC dos clientes foram cobertos; a exchange fechou depois, e as contas foram transferidas para a SBI VC Trade |
| Binance | 7 mai. 2019 | 7.000 BTC, cerca de US$ 40 milhões | Coberto integralmente pelo SAFU; depósitos e saques suspensos por cerca de 8 dias |
Fontes: TRM Labs, Chainalysis, DefiLlama, comunicados das próprias exchanges e reportagens, levantados em 30 de outubro de 2026. A FTX, em novembro de 2022, não está na tabela: foi uma quebra e um caso de fraude, não um hack, e os clientes foram ressarcidos em dólares pelos preços de novembro de 2022, cerca de US$ 16.871 por bitcoin.
Com a Binance, 2026 já é o pior ano de roubos de cripto na base da DefiLlama: US$ 8,15 bilhões em 322 incidentes, contra US$ 2,72 bilhões em 2025. A Chainalysis contou mais de US$ 3,4 bilhões roubados em 2025, dos quais pelo menos US$ 2,02 bilhões foram para grupos norte-coreanos.
O que o hack da Binance ensina a quem opera futuros?
- Um hack pode travar o seu dinheiro enquanto o trading continua. Em 29 de outubro, os futuros da Binance seguiram negociando com preços normais e mais volume, mas ninguém conseguia sacar. Um trader com hedge entre duas exchanges não tinha como levar margem da Binance para o outro lado.
- Deixe em cada exchange só a margem que você usa. O dinheiro que não está sustentando posições abertas não precisa ficar parado numa exchange. Já tratamos do mesmo ponto para exchanges que saem de um país em Uma exchange pode ir embora em cinco dias.
- Acompanhe a diferença de preço entre exchanges. Uma diferença de poucos pontos-base é ruído. Uma diferença de vários pontos percentuais na mesma moeda, como na FTX em 2022 ou na Mt. Gox em 2014, significa que o mercado duvida que os saldos daquela exchange possam ser sacados. O screener da Binam, gratuito, mostra as diferenças de preço entre Binance, Bybit e OKX numa só tela.
- Conte com mudanças no funding. Depois do hack, o funding do BNB na Bybit foi para −0,065% por 8 horas, e o funding de ETH ficou negativo tanto na Binance quanto na Bybit. Se você mantém uma posição durante um choque, a conta do funding pode mudar rápido; veja o que é o funding rate, quem paga e quanto custa.
- Use só os canais oficiais. Grandes hacks atraem mensagens falsas de "compensação" e de "verificação de conta". Leia os comunicados no app da exchange ou no site dela, aberto a partir do endereço que você já tem salvo.
O hack afetou os traders da Binam?
Não. Os traders da Binam não foram afetados. Na Binam, uma prop firm de cripto, as avaliações acontecem em contas demo com cotações reais, na Bybit ou na Binance pelo terminal CScalp, então, durante o desafio, o dinheiro em jogo é o valor pago pelo desafio, e não um depósito na exchange. Como funciona a opção com a Binance está explicado em Mesa proprietária na Binance: como fazer o desafio no CScalp, passo a passo.
Perguntas frequentes
A Binance foi hackeada?
Sim. Em 29 de outubro de 2026, a partir das 20:05 UTC, aproximadamente, atacantes esvaziaram carteiras quentes da Binance em dez blockchains. A Binance confirmou um incidente de segurança, estimou o impacto total em cerca de US$ 6,3 bilhões e suspendeu os saques.
Quanto foi roubado da Binance?
A Binance estima o impacto total em cerca de US$ 6,3 bilhões. A TRM Labs conta US$ 6,36 bilhões pelo valor no momento do roubo; a Chainalysis, cerca de US$ 6,4 bilhões; a DefiLlama, US$ 5,78 bilhões; e a Blockaid, US$ 5,5 bilhões. Cerca de US$ 2,7–3 bilhões foram congelados em poucas horas.
Meu dinheiro está seguro na Binance depois do hack?
A Binance diz que os fundos dos usuários estão seguros e que vai cobrir todas as perdas com o fundo SAFU (15.000 BTC, cerca de US$ 1,17 bilhão) e com recursos da empresa. O valor afetado equivale a cerca de 4% dos ativos que a Binance tinha antes do hack. Ao longo da noite, os preços dos futuros na Binance ficaram alinhados aos de outras exchanges, o que sugere que o mercado esperava a cobertura da perda. Ninguém de fora consegue confirmar isso por completo até a Binance publicar o relatório e uma prova de reservas atualizada.
Quando a Binance vai liberar os saques?
Às 04:36 UTC de 30 de outubro, a Binance disse que espera liberar os saques em até 48 horas, o que aponta para cerca de 1º de novembro. Segundo a mesma atualização, os depósitos funcionam normalmente. No hack da Binance de 2019, a suspensão durou cerca de oito dias. Acompanhe os anúncios oficiais no app da Binance.
Ainda dá para operar futuros na Binance?
Sim. As negociações no spot e em futuros continuaram durante o incidente: nossos dados por minuto não mostram interrupções no trading, e sim preços normais e volume maior ao longo da noite de 29 para 30 de outubro. Os saques foram suspensos, e as negociações na Binance Alpha também.
Como os hackers invadiram a Binance?
A investigação inicial da Binance aponta para o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps, que deu ao atacante acesso a um contêiner de serviço de onde partiram saques não autorizados. A Binance não encontrou evidências de vazamento de chaves privadas e diz que o incidente decorre de vários fatores. Na Ethereum, o atacante usou uma delegação EIP-7702 para tomar o controle de uma carteira quente; a TRM Labs acredita que o sistema de assinatura das carteiras quentes foi comprometido.
Quem hackeou a Binance?
A TRM Labs atribui o ataque ao TraderTraitor, grupo norte-coreano, com alto grau de confiança, e a Chainalysis também aponta para a Coreia do Norte. Até 30 de outubro de 2026, nem a Binance nem governos tinham confirmado a autoria.
Este é o maior hack de cripto da história?
Sim, por qualquer estimativa. O recorde anterior era o hack da Bybit, de fevereiro de 2025, de cerca de US$ 1,5 bilhão. O maior caso anterior a esse, o do pool de mineração LuBian em 2020, foi de cerca de US$ 3,5 bilhões.
O que é o fundo SAFU da Binance?
O SAFU (Secure Asset Fund for Users) é um fundo de emergência que a Binance criou em 2018 com 10% das taxas de trading. Ele cobriu integralmente o hack de 2019. Desde fevereiro de 2026, o fundo tem 15.000 BTC, e a Binance se comprometeu a recompô-lo até US$ 1 bilhão se ele ficar abaixo de US$ 800 milhões.
O hack da Binance afetou a Binam?
Não. Os traders da Binam não foram afetados. Os desafios da Binam acontecem em contas demo com cotações reais, então o dinheiro em jogo é o valor pago pelo desafio, e não um depósito na exchange.
Como coletamos os dados
Preços: candles de 1 minuto dos futuros perpétuos com margem em USDT (BTC, ETH, BNB, XRP, SOL) nas APIs públicas da Binance, da Bybit e da OKX, e spot de BNB e BTC da Binance e da Bybit, das 14:00 UTC de 29 de outubro às 05:30 UTC de 30 de outubro de 2026. A diferença é o fechamento de 1 minuto na Binance dividido pelo fechamento médio da Bybit e da OKX, menos um, em pontos-base. "Antes" vai de 14:00 a 20:00 UTC; "durante", das 20:05 UTC (a primeira saída na cronologia da TRM) às 00:30 UTC (o retrato da TRM); e "depois", de 00:30 a 05:30 UTC. As quedas de preço são medidas do fechamento das 20:04 UTC até a menor mínima de 1 minuto. Open interest: dados de 5 minutos, em moedas, da Binance e da Bybit. A comparação com a Bybit em 2025 usa o mesmo método em torno do roubo das 14:13 UTC de 21 de fevereiro de 2025.
O que esta análise não consegue mostrar: as liquidações por exchange, a profundidade do book de ofertas e o que aconteceu depois das 05:30 UTC de 30 de outubro. Os números sobre o ataque em si vêm da TRM Labs, das declarações da Binance e das fontes jornalísticas citadas acima, com dados de 30 de outubro de 2026.
Operar futuros de cripto envolve risco. Este artigo é apenas informativo e não constitui recomendação de investimento nem orientação jurídica.